domingo, 31 de julho de 2011

Sabedoria infeliz

Que é a sabedoria? Questiona-se o pensador angustiado. Como se não bastasse à profunda angustia frente a sua inquirição, ele se desfaz em choro e expurga a tinta lacrimal que escorre sobre este papiro.
Numa longa busca incansável pelas respostas para sua pergunta, o pensador se vê, cada vez mais, perdido nelas. Teu coração já não pulsa mais, como mola propulsora da vida, apenas questiona: que é a sabedoria?
Décadas mortas de respostas indizíveis. E a mesma inquirição: que é a sabedoria?
Aquele profundo questionador recorreu a pensadores gregos e orientais, mas nenhum sanava o seu problema. Foi então que, ao se perder nas labaredas da potente existência, ele resolveu peregrinar pelas montanhas de sua pequena cidade. Entreteve-se com a natureza, com os animais, mas nada. Nada conseguia resolver o problema: que é a sabedoria?
Sabedor ia, ele, sem perceber o interior de si mesmo, pois só resolveria o seu problema a resposta advinda de fora do seu espírito.
Os caminhos foram longos, e nada. Anos se passaram e o pensador abortara o seu questionamento. Então, o que haveria feito ele com a angústia que o tomara desde que iniciou o seu problema? Afinal, que é a sabedoria?
A angústia matou o sábio. A sabedoria aflorou a angústia. E o pensador assassinou as respostas, que se escondiam no ânimo do seu próprio ser.
Murillo Cesar.